domingo, 2 de agosto de 2020

sem nome

uma árvore
atrás da árvore uma escada
escada antiga
subida e descida por varios pés
pés calçados
pés descalçados
pés de varias gentes e pés de outras variadas gentes, que aqui podem ser chamados de patas, de patinhas ou de patins
pés
árvore e escada
uma mesma composição de paisagem
depois de escalada a escada aparecia um Jardim
um jardim da mesma talvez idade da árvore, da escada e do jardim
quantas histórias já viveram
quantas?
tudo permanecia, atravessados pelo tempo
ali havia um cheiro de duração
dali onde estava assistia a paisagem
era um Domingo de tarde
sim uma tarde de Domingo
um Domingo frio de inverno
a paisagem estava vazia de humanos
de tempos em tempos
aparecia uma pagina de um Jornal de ontem que o vento do vento trazia
interferia assim na paisagem
sugeria alguma coisa
as vezes apareciam conforme a força do vento sacos de plásticos abandonados e em desuso
de onde estava continuei a assistir
presenciar a existência das coisas
o desenho, a composição , a idade,
mil  ou talvez milhões de sucedidos de histórias, de amor, de encontros, de pressa, de temor
um sentimento melancólico visitou meus olhos
senti uma coisa que não consigo exprimir
meu coração olhou a paisagem
entendeu a paisagem
então uma rajada de vento mais forte e decidido fez com que eu também desaparecesse dali
semelhante a uma folha de jornal, a uma sacolinha plástico
mas nesse entretempo tive o tempo de escolher
e fui como um balão de gás azul solto no ar
fui
assim tudo desanuviou e consegui flutuar

inscrições abertas para a Vivência Prática do Sensível de A G O S T O


Com prazer anuncio que as inscrições estão abertas para esta Vivência que tem no Religare corpomundo&mundocorpo a sua fonte. Para informações entre em contato pelo email producaodudude@gmail.com ou pelos telefones via ZAP inseridos no Flyer e seja Bem Vindo(a) #natureza#arte#dança#improvisação#planeta#cuideado#fiqueemcasa#dance 

quinta-feira, 30 de julho de 2020

em construção

eu vi um meteoro cair dos céus
de onde veio?
quanta memória de outro espaço, não do espaço além de meu mundinho de  terráquia
espécie dos Hominídeos sim homenzinhos, mulherizinhas
bípedes é sua natureza
tem cabelos no sexo e no alto da cabeça e tem o umbigo destampado
pensam muito
são muito criativos
sim inventam coisas mirabolantes
mas também são desastrosos e muito egoístas
as vezes fico eu com uma vergonha de pertencer a esta raça que habita um planeta
sim um dos mil , milhões de possíveis planetas, galáxias
euzinha habito , por enquanto este lindo, belo planeta
nesta existência só conheço este
pressinto estar em trânsito
me pergunto: porque apareci aqui, deste modo, com este corpo de mulherídeo, hominídeo
não posso fazer nada about this
então sigo
muitas das vezes fico  d e s e s p e r a d a sim d e s e s p e r a d a
não entra em minha cachola entender tamanha violência entre nossa raça, tamanho egoísmo entre alguns, tamanha violência entre todos os nossos outros companheiros desta canoinha chamada de terra
matam bichos de todas as espécies , assim sem pensar, matam
arrancam e dizimam florestas, assim sem pensar, dizimam, botam fogo
poluem os mares que circundam as terras , os mares ricos de gente, de varias outras gentes, uma beleza que não tem tamanho, jogam todo a nossa merda no mar, assim, jogam
acabam com vales, pradarias, campos, mil nascentes
sabe como?
eu do tamaninho que tenho acredito na formiga
e me inspiro nela
sei que a minoria tem poder
não empodeiramento, detesto esta palavra, sei porque
você sabe ?
porque ela reina no mundo humanóide
a minoria tem poder
sabe?
porque trabalha na soma de um mais um
lembro do poder do vírus, da bactéria, do mínimo , do minúsculo, do invisível
e deste modo assim vou seguindo
parecida com a formiga
que nem se importa de ser mais uma, uma ninguenzinha
é sigo como ninguém
mas mexo aqui, movo ali e de passinho em passinho vou crescendo
instigando um outrinho que quem sabe pense parecido a mim

segunda-feira, 27 de julho de 2020

eu euzinha e outros eus

 Fico em minha casa
estou vivendo eu e mais outros vários eus
não sei muito de mim
apenas que convivo comigo
todo o momento estou
uma sensação de estar meia zonza, perdida no meio de um mar
onde não avisto margens
preciso de margens para me margear
aguardo
espero
tantos outros
tantos trabalhos na direção de fora
agora introjeto minha pessoa
continuo zonza, tonta
meio sem beirada, desbeirada
será que meu contorno está se esgarçando
será
será esta uma sensação de sofreguidão
de falta
para quê mesmo existo
se nesse tempo tanto faz
passo dias assim
desfocada sigo
estou no meio desse mar de mim
mundo
que mundo?
estamos vivendo como que galinhas de uma granja
consigo ainda ver, sentir, o sol entrar pela casa
consigo ainda respirar
meus sonhos estão embaçados
o que será isso
uma desilusão
acometida estou
na sensação febril de existir
quanto
restos
fragmentos
sigo as noites ora em sonhos, ora em pesadelos ora sem fim
sem borda
precisa de um empurrão para dar meu passo
vivo a meia idade de uma existência
pego a fita métrica
quero medir
meus olhos não conseguem enxergar os números
não conseguem ou não querem
meu desejo agora é imediato
não posso falar dele, porque me esqueci de querer saber
o anuncio
a véspera
vespero em arranjos desarranjados
procuro pelo Besouro que fecunda a flor do maracujá
ele se foi
as flores caem em meu jardim
uma lágrima escorre pela minha face
o que posso eu, euzinha fazer de mim?

eis que a V Prática do Sensivel de Agosto se aproxima... Dance em sua #casa#corpo#planeta#mundo#dance