quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Coisa da casa

 

 

 

A tesoura está afiada, ela corta tanta coisa, vai papel, vai cabelo, vai costura, vai linha

que maravilha e como é bonita e afiada

Ela mora na gaveta da cozinha e se comporta maravilhosamente bem dentro da gaveta.

O chapéu está pendurado no cabide, fica lá aguardando , esperando completamente disponível para uma ida ao jardim, a lavoura, à rua, quando o Sol está imperioso no céu , ele entra na ação e exerce sua função de proteção  cuidadosamente.

Já a xícara prefere ficar a disposição da mesa, redonda e um tanto quanto comportada, faz seu serviço como quase um ritual. recebe o chá, o café, o leite , o nescau e tem intimidades finas e veladas com a boca que sorve o líquido, com as mãos que a lavam para o uso. Nunca se antecipa, e muito menos se aflige, está na maioria das vezes guardada no armário ou posta à mesa

Os talheres são mais escandalosos, podem se atrapalhar, fazer barulhos quando a comida é boa, ou quando as conversas se acendem

Ah , o tapete da sala, só guarda, não se incomoda de ser pisado, mas bem sabe que das lembranças da casa , das mais recônditas estão ali inseridas em sua teia, reconhece os pesos de cada corpo, guarda o histórico por toda a vida, podem passar gerações gerações e ele estendido no chão continua

enquanto a casa vive seu tempo

moveis, mobilias, sofás, geladeira, fogão são todos irmãos, uma família por assim dizer

Mas a atriz visceral é sim a cama de casal, coisas do arco da velha podem se suceder

a casa murmura e adora receber festas, celebrações, e flores no jarro da mesa

A casa também sabe que sua vida é dada por quem  nela habita, alegrar ou entristecer faz parte e é importante, e justo aí e para isto que existem cantos, corredores, lugares de pouso para determinadas sensações, a casa sabe que pode acolher, abrigar , dar teto e ser colo

Eu , já passei por várias casas, casas de todo tipo, mas minha casinha sempre foi meu recanto, é este corpo meu, que constrói as casa por onde parte, por onde deixo

Minha casinha de sapé, simples oriunda de mim

Na sensação de mais um, sigo o tempo dado pela vida

em meus guardados guardo gratidão, um vidrinho de macramè que minha tia me deu quando ainda criança, um bonequinho feinho, mas muito lindinho que considero meu euzinho

as louças que foram da casa de meus pais, ficam a me olhar e servir nas horas do café, dos almoços de todo dia.

A casa cuida da lembrança, algumas permanecem sem se afligirem, não se esgotaram

Outras tantas desapareceram, quebraram, envelheceram, perderam o brilho, o motivo de permanecerem

Tem coisas que não se desgrudam fisicamente da casa, talvez porque estejam incrustadas em minha casa memória corpo

E os presentes que ganho e a casa ganha

amigos me ofertaram em um dia talvez de aniversário, talvez de reciprocidade de bem viver

amigos me visitam

e  a casa recebe

claro que eu a movimento, abro as janelas, cuido como se fosse gente

sim tudo é gente

Incrível

cada vez mais entendo como o coração compreende  as coisas da vida

as afeições, os cuidados, as obrigações, os prazeres, as decepções tudo é uma escola

uma escola que respeito demais

aprendo pela fala, pelo abraço, pela fresta do olho, pela batida do coração


Edição especial que celebra os 10 anos de ações continuadas do Atelier CAFÉ DA TARDE CONVIDA João Saldanha

Com prazer neste Domingo as 16:30 estaremos na sala da Plataforma Zoom em uma bela e afetuosa mesa de Café da Tarde, cada participante fique a vontade para criar a sua mesa e partilhar desta conversa em tom de com açucar e com afeto compor sua mesa

João eestará abordando o assunto "mistérios do Jardim, da floresta- a arte como desvio"

Sugerimos a contribuição consciente de 20,00

Preencha o formulário e Domingo estaremos à mesa

SEXTA QUE DANÇA, ação manaura me convidou para presentar em uma Live Ao redor da tormenta, existo nas dobras

 

Poesia "Usamos a Máscara" [Paul Laurence Dunbar]

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

sem titulo

 Mover o espaço é a condição do artista que cria, na ação simultânea do existir na soma

Tanto coisas inanimadas quanto seres animados se servem da borda, da margem, do suporte para que uma imagem consiga se desvelar

O olho que vê edita o que ele vê

Cada um de todos nós somos distintos, indivíduos

Cada um de nós   existe a sua maneira, com experiências distintas, mesmo que possam parecer semelhantes, mas nunca iguais, mesmo aqui com objetos feitos em seres, iguais e idênticos vão se diferenciando a partir do momento que pertencem a sua casa, corpo, ambiente

Isto é o que fomenta e aquece o fogo em uma improvisação

sua dor pode ser semelhante a um outrem, mas não temos certeza alguma que o azul  que ocupa sua sensação é igual ao azul  de um outro

Como vejo, observo e noto é da intimidade de cada ser vivente

ao compartilhar quereres e observações, contemplamentos falamos de um comum

este comum em nós

tão diverso e tão comum

por enquanto interrompo os acionadores que me guiem para existir como um igual, e bem distinto

na sensação de um mais um vamos a se tempo construindo teias no campo do fraterno, do afeto, do artístico

Vem aí a Edição comemorativa dos 10 anos de ações do Atelier DUDUDE, Café da Tarde é a ação mensal que celebra a existência com convidados do campo da arte!