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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Encontro Prático com MADALENA BERNARDES (SP), dia 08 de Dezembro de 2012


Encontro Prático com Madalena Bernardes (SP),
seguida de Jam, pra celebrar 2012.
Dia 08 de Dezembro de 2012,
na Casa Atelier de Dudude
(Casa Branca, Brumadinho/MG)

Informações sobre valores, como chegar, como acontece etc., entre em contato pelos e-mails maria.dudude@gmail.com ou dudude@dudude.com.br.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

CONVOCATÓRIA Residência! [VERA MANTERO] Atelier Dudude Casa Branca 2012


Convocatória Atelier Dudude

Está em vigor a convocatória para inscrição de intérpretes-criadores, bailarinos, interessados em participar do “Encontro Prático com Vera Mantero”, de 21 a 26 de janeiro de 2013. O Encontro Prático, orientado pela artista portuguesa Vera Mantero, faz parte das ações que Dudude oferece em seu atelier, que fica em Casa Branca – distrito de Brumadinho-MG/Brasil*. Serão selecionados 15 artistas de todo o Brasil** através de processo democrático de convocatória, currículo sucinto (até 20 linhas) e carta de intenção de cada candidato.

* A produção não se responsabiliza pela hospedagem, alimentação ou transporte dos artistas selecionados, mesmo os que não residam em Belo Horizonte e arredores. Estes custos são de responsabilidade única e exclusiva dos candidatos. Serão negociados descontos em pousadas e restaurantes da região para os selecionados.
** Todos os participantes receberão certificado de participação.


Das Inscrições
15 Vagas
As inscrições para o encontro deverão ser realizadas até 07 de dezembro de 2012, exclusivamente pelo e-mail: dudude@dudude.com.br
No e-mail, enviar a) currículo sucinto (até 20 linhas) e b) carta de intenção do candidato. Os e-mails dos candidatos deverão ser identificados da seguinte forma. No campo assunto, escrever o texto: CONVOCATÓRIA ATELIER DUDUDE - VERA MANTERO [nome do candidato]. E-mails enviados fora destas especificações não serão considerados.
O resultado será divulgado no blog de Dudude (coisasdedudude.blogspot.com) e no Facebook de Dudude e ficará disponível para consulta a partir do dia 15 de dezembro de 2012. Os selecionados serão também informados por e-mail.
Os interessados podem entrar em contato pelo email: prod.jackiecastro@uol.com.br ou pelos telefones 31.9673.4519 e 31.7814.1430 para tirar suas dúvidas.


1 Por que fazer
A oportunidade de  estarmos compartilhando, trocando, vivenciando ideias, propostas, olhares com artistas de além mar, com realidades diferentes tem em si uma singularidade e importância distinta. Para os artistas do Brasil, estar com profissionais reconhecidos e com trabalhos significativos no campo da dança atual traz, sem menor sombra de duvida, um alimento potente com a consequência afirmativa na alteração de hábitos, no que implica a criação, a maneira com a qual cada um vê e sente a contemporaneidade.

2 Onde
Casa/atelier da artista de dança DUDUDE
Residência Artística, em Casa Branca, Brumadinho/MG Brasil

3 Para quem
Bailarinos, performers, artistas interessados na linguagem da dança contemporânea e seus desdobramentos.

4 Tempo de duração
Imersão de uma semana, durante as tardes, de 14 as 19hs ,de segunda a sexta. No período das manhãs o atelier ficará aberto para os artistas participantes fazerem uso.
Noites livres

5 Data/Período
21 a 25 de Janeiro de 2013
26, sábado, encerramento com mostra de trabalhos dos participantes

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Informações sobre a proposta  de Vera Mantero

O CORPO PENSANTE

A relaxação, o uso da voz, a escrita, a respiração e a associação livre são alguns dos meios a serem usados neste encontro prático de forma a encontrarmos os movimentos e as acções que se estão a passar dentro de nós. Exploraremos alguns deles separadamente de forma a incorporá-los mais tarde em processos de improvisação mais longos e mais complexos. A ideia de entrada num estado particular de consciência será muito importante. A consciência e atenção aos sinais interiores e exteriores (awareness), o uso do espaço e a exploração de objectos e materiais não serão esquecidos.
Ironia e mãos vazias levar-nos-ão mais longe.

SOBRE VERA MANTERO (PORTUGAL)

Estudou dança clássica com Anna Mascolo e integrou o Ballet Gulbenkian entre 1984 e 1989. Começou a sua carreira coreográfica em 1987 e desde 1991 tem mostrado o seu trabalho por toda a Europa, Argentina, Brasil, Canadá, Coreia do Sul, EUA e Singapura.
Dos seus trabalhos destacam-se os solos “Talvez ela pudesse dançar primeiro e pensar depois” (1991), “Olympia” (1993) e “uma misteriosa Coisa, disse o e.e.cummings*” (1996), assim como as peças de grupo “Sob” (1993), “Para Enfastiadas e Profundas Tristezas” (1994), “Poesia e Selvajaria” (1998), “Até que Deus é destruído pelo extremo exercício da beleza” (2006) e a sua última criação “Vamos sentir falta de tudo aquilo de que não precisamos” (2009). Participa regularmente em projectos internacionais de improvisação ao lado de improvisadores e coreógrafos como Lisa Nelson, Mark Tompkins, Meg Stuart e Steve Paxton. Desde o ano 2000 dedica-se igualmente ao trabalho de voz, cantando repertório de vários autores e co-criando projectos de música experimental.

Em 1999 a Culturgest organizou durante um mês uma retrospectiva do seu trabalho realizado até à data e que se intitulou “Mês de Março, Mês de Vera”.
“Comer o Coração”, trabalho criado em parceria com o escultor Rui Chafes, representou Portugal na 26ª Bienal de São Paulo 2004.
No ano de 2002 foi-lhe atribuído o Prémio Almada (IPAE/Ministério da Cultura) e no ano 2009 o Prémio Gulbenkian Arte pela sua carreira como criadora e intérprete.

“Para mim a dança não é um dado adquirido, acredito que quanto menos o adquirir mais próxima estarei dela, uso a dança e o trabalho performativo para perceber aquilo que necessito de perceber, vejo cada vez menos sentido num performer especializado (um bailarino ou um actor ou um cantor ou um músico) e cada vez mais sentido num performer especializadamente total, vejo a vida como um fenómeno terrivelmente rico e complicado e o trabalho como uma luta contínua contra o empobrecimento do espírito, o seu e o dos outros, luta que considero essencial neste ponto da história.” 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

"A Projetista" em curta temporada, no Galpão Cine Horto (27 e 28 de Outubro)

De volta a Belo Horizonte "A Projetista" em curta temporada no Galpão Cine Horto, dias 27, sábado às 21 horas, e 28, domingo, às 19 horas.



Sobre o espetáculo, leia a resenha de Luiz Carlos Garrocho, publicada em seu blog, em março de 2012:

"A Projetista: uma política do desejo

Quando é que um corpo-artista realiza um encontro com a técnica, de tal modo que esta deixa de ser uma defesa diante da vida e de seu estado precário? E em que a polaridade “corpo” e “artista” desaparece ou não faz mais sentido?  Não porque tudo aquilo que nos ameaça, tendo por resposta um arcabouço qualquer, se dê necessariamente por vencido. Mas sim porque tais coisas passam a fazer parte do assombro de viver como jogo e signo. A Projetista, de Dudude, coreógrafa, bailarina, performadora e atriz, traduz isso.
Porém, não é  fácil dispor de si como signo, ao modo do abandono de si.  Pode até acontecer de repente, mas leva muito tempo. Tempo que também se perde, já que a vida escoa e os projetos não se transformam por si mesmos em encontros. Para lembrar Proust, citado por Dudude no espetáculo, diria com Deleuze que é preciso também perder tempo: 
”Nunca se sabe como uma pessoa aprende; mas, de qualquer forma que aprenda, é sempre por intermédio de signos, perdendo tempo, e não pela assimilação de conteúdos objetivos”.
Talvez, seja essa uma das chaves de leitura de A Projetista. De um lado, o tempo perdido na elaboração de um amanhã como alvo. Que é a negação do presente vivido. E o tempo que se perde no embrenhar-se da vida aos acasos. A necessidade, portanto, de ir em busca do tempo perdido.
Dudude faz da elaboração desse amanhã capturado pela burocracia, assim como desse perder-se necessário na vida, um experimento criativo. Coloca, no próprio espetáculo, o desejo de dançar uma pergunta, ou de prolongar uma fresta lançada, muitas vezes, pela própria estupidez do ato projetista. Que se transforma assim em gesto, palavra, imagem. Então, amanhã é agora.
Nossos hábitos podem nos fazer acreditar que A Projetista é um misto de teatro, de dança, depoimento pessoal, crítica e denúncia. Porém, isso não tem a menor importância, pois, como em outros processos criativos, não podemos continuar a pensar por meios que não sejam o de uma arte no campo expandido.
A Projetista é um espetáculo, mas é também uma performance.  No sentido de uma poética que chama a si as forças. Que forças são essas? Aquelas que sustentam um corpo no ato de convidar outros corpos a compartilhar essa mútua presença. Nesse sentido, não é a representação de uma “situação” ficcional a linha de condução. O que conduz o jogo performativo é o embate. Uma estratégia de conhecimento no ato mesmo da encenação.
Portanto, o que vemos não é a história ou a fábula de uma personagem, de uma “projetista”. Sim, há também esse plano ou camada de composição e leitura. Porém, ele não se configura a ponto de ser uma matriz do evento. Constitui uma esfera de problemas, de cartas ou de dados lançados. Que pedem respostas, enfrentamentos. São elementos de enunciação, ao lado de outros, como os momentos em que Dudude dança. Ou aqueles em que ela se permite emocionar com o que diz.  É nesse campo que as coisas se resolvem – no ato de dançar como necessidade e desejo.
Há linhas e planos. Como a denúncia desta época em que, como Dudude diz, será lembrada uma dia como a “era dos projetos”.  As pessoas “ficavam lançando projetos para o futuro”. Sim, Dudude aponta para o impasse das políticas públicas, contudo, sem colocar-se no lugar do queixume, com é tão comum. E num momento muito forte ela diz algo assim: por que eu devo detalhar aquilo que eu não sei o que será, como é toda criação?
Nem por isso precisamos nos tornar tristes por causa da política. Pelo contrário, Dudude faz do evento cênico o acontecimento de uma política do desejo. Não pela reivindicação de uma particularidade (o “eu” da artista) ou de uma generalidade (“os artistas”, “o humano”). Mas sim no acolhimento dessa experiência do fora, de que fala Blanchot. E da alteridade de nossa situação no mundo.
Porém, a despeito de denunciar a burocracia  das leis de incentivo e os agenciamentos que elas produzem (como o ficar à espera de uma condição externa favorável, ou de vincular o desejo ao “projeto” e, por tabela, ao Estado), A Projetista expõe os caminhos de nossas fragilidades e apostas.
Uma das sequências mais belas é a que Dudude dança, já no final do espetáculo. Uma dança da ordem da intensidade, na qual se dá um entrega e em que um corpo somente se identifica com sua própria variação. Por sua capacidade de sofrer as consequências de suas próprias ações.
Uma bela composição. O tempo reencontrado no desejo.
Referências -
- A Projetista: Concepção/intérprete: Dudude. Direção: Cristiane Paoli Quito. Assistência de direção: Lydia Del Picchia. Figurino: Marco Paulo Rolla. Trilha sonora: natalia Mallo e Danilo Penteado. Desenho de luz: Bruno Cerezoli. Vídeos: Joacélio Batista & Frederico Herrmann. Produção: Ludmila Ramalho.
DELEUZE, Gilles. Proust e os signos. Tradução de Antonio Piquet e Roberto Machado. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2003.